segunda-feira, 6 de abril de 2015

Exercício 4 - Caroline Façanha

Hipertexto seria algo além do texto, isto é, uma janela que te joga. Se pensarmos na cultura como um grande texto, como uma rede de associações, cada associação então seria um hipertexto por si só. Isso é, se tomarmos por associação semântica uma ligação de um bloco de texto com outros que constroem o corpo da narrativa.
Diferente do sistema arbóreo, não haveria uma matriz para ordenar todas as associações. Pelo contrário, pois na verdade hipertexto seria uma forma não linear que agrega diversos conteúdos, não podendo haver uma hierarquia intrínseca a todos esses conteúdos.
Na internet, o próprio link é uma associação semântica. Quando observamos a enciclopédia ou o dicionário, fica evidente que o hipertexto não surgiu com a criação da internet. Uma nota de rodapé também é um hipertexto. Agora, se tomarmos como exemplo os artigos relacionados em revistas ou em jornais. Em sites de notícia, isso fica claro, mas esse procedimento já existia em jornais.
A intertextualidade que o hipertexto propõe acaba trazendo uma potência ao texto, essa potência está presente na figura do leitor. Existe três obras, ou formas de recepção. Existe a obra aberta, que oferece múltiplas possibilidades de leitura. Existe a obra potencial, e nesse caso é o leitor que, no ato de desembaralhar, escreve o poema.
Existe também as diversas formas de participação. A passiva, ligada a uma contemplação, uma percepção e a própria imaginação. Há a participação ativa: seria uma exploração, a manipulação do objeto artístico, uma modificação da obra pelo expectador.
Assim, o potencial da obra está presente na figura do leitor. Isso é, ela apenas se torna obra quando devolve algo, quando é usufruída pelo leitor.
Se o livro exige um leitor, o texto na web exige a presença ativa do usuário.
Um exemplo da interatividade está no site de Olia Lialina: http://www.artlebedev.ru/svalka/olialia/war/

O visitante pode navegar através da página. A cada escolha que fazemos, ou seja, a cada frase que clicamos, somos direcionados para uma nova frase – um hipertexto – que se relaciona com a anterior. E por assim, vamos navegando no que parece ser um infinito de frases que contam uma história de modo não linear. Cabe ao leitor explorar.