terça-feira, 31 de março de 2015

Exercício 4 - Bianca P.

A meu ver, um dos grandes trunfos proporcionados pelo uso do ciberespaço é a interatividade. Sendo também o ciberespaço um banco de de dados de memórias provindas de vários ambientes aleatórios e, deste ponto de vista, e graças a uma combinação complexa de tecnologias de informação e de comunicação, o elemento humano completa e adere ao mapa ciberespacial. A mente humana é o elemento imprescindível. Exemplo disto é o belo trabalho de Samir Mesquita, "Dois palitos" > http://www.samirmesquita.com.br/doispalitos.html < onde o artista carrega a plataforma utilizando-se de ilustrações animadas onde o espectador, no caso os internautas, interagem com o trabalho de maneiras diferentes uns dos outros; ao passar o mouse sobre a parte aberta da caixa de fósforos, um dos fósforos é virtualmente riscado e dele se abre uma mensagem diferente, corroborando assim o axioma onde diz que interatividade se define no momento em que a obra reflete de volta para nós as consequências de nossas ações. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Exercício 1

A nuvem

Após esconder o livro de areia na Biblioteca Nacional, procurei manter uma certa distância dos livros enquanto não tirasse essa experiência das minhas memórias. Porém, não fazia ideia que eu estava vivenciando outro tipo de pesadelo quando constatei que algo me perseguia. Era uma nuvem, que ilustrava o céu dos lugares por onde eu passava, cuja presença única e singular me assombrou depois de um tempo. Isso porque não entrava na classificação de uma nuvem comum, pois carregava dentro de si todo o mundo em que eu me encontrava. Minha existência estava toda ali, e eu me senti descartável, sem necessidade de lembrar, refletir, sonhar, sentir; enfim, para que guardar algo dentro de mim se nesta nuvem eu acessava tudo e mais um pouco do que fazia parte do meu ser?

O pior, como se isso já não bastasse, era a incapacidade de afastá-la de mim. Automaticamente, eu estava com ela a qualquer hora e em qualquer lugar, e o que no início poderia se mostrar útil logo se mostrou um objeto de indignação. Isso porque não era sempre que eu queria ter contato. Mas como destruir essa nuvem? Nuvens são coisas eternas; são como livros depois de escritos. Queria não saber de sua existência, mas agora basta esperar o tempo passar. Pode ser que depois de viver na terra, tudo o que restar serão nuvens no horizonte.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Exercício3 : Mural Padlet_ Inteligência coletiva e Criação Literária

Exercício 2

O projeto GENTE tem como objetivo repensar o modelo da instituição Escola, tal como a

conhecemos. Para isso, busca implementar algumas mudanças nos métodos de ensino, onde

podemos perceber os princípios do sistema rizomático tratados por Deleuze.

Os princípios da conexão e heterogeneidade tratam de estabelecer relações ao se pensar em

algo. As inovações do projeto GENTE permitem que os alunos aprendam a buscar informações

por conta própria com o uso de tecnologias digitais. A ideia é que o interesse em aprender

parta do próprio aluno, e não de um professor que os obrigue a decorar determinada matéria.

O princípio da multiplicidade, dentro desse projeto, trata de permitir ao aluno percorrer

múltiplos caminhos para chegar ao conhecimento, ou seja, é um sistema aberto, livre, onde

cada um procura o seu ritmo de ensino e a melhor maneira de aprender determinado assunto.

A ruptura do a-significante é outro princípio observado nesse projeto, onde cada aluno

percorre o seu próprio caminho, e as conexões que são criadas por cada um para se chegar ao

fim, não destroem o todo, quer dizer, o conhecimento em si.

Por fim, os princípios da cartografia e decalcomania, onde Deleuze afirma que “um rizoma não

pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo” é claramente observado no

GENTE, pois o método aberto e livre de aprendizagem, que permite o prazer da descoberta, é

o que move toda essa iniciativa, fornecendo ao aluno as ferramentas para “fazer o mapa, não

o decalque”.


Grupo: Alexadre, Eduardo, Luis, Marcio, Willians

segunda-feira, 16 de março de 2015

Exercício 2 - Rizoma na escola

O projeto do Rizoma dentro da escola é um esforço e uma tentativa de aplicar formas diversas que estão indicadas no texto do Deleuze.
1. Uma ruptura com a hierarquia.
2. "Um Rizoma pode ter rompido, quebrado" para depois originar em outra coisa. Rizoma como "Devir".
3. Multiplicidade, pois nele há um espaço para os alunos de diversas idades, séries
4. Essas tentativas estão sendo aplicadas com uma geração recente. Há uma mínima organização programática e tradicional, já que esse projeto serve para trazer alternativas.
5. A partir de hoje podemos observar que jovens tem o contato com essa alternativa pedagógica custeada pelo Estado, ao contrário das demais iniciativas anteriores privadas e de alto custo.
6. O  próprio vídeo de divulgação do projeto se utiliza de quadros da História de Arte como a obra de Mondrian, atentando para o interesse em relacionar diversos formatos.
  

Exercicio 1

Páginas de areia

Parado ali diante da estante, eu pensava na possibilidade de manusear novamente aquele livro. Não tinha em mente nenhum objetivo e talvez esta fosse a razão de ainda permanecer assim, sem tocá-lo. Se eu tivesse uma direção, talvez não tivesse que alimentar o desejo de abrir e lá começar uma busca sem fim. Uma vez aberto, iria ficar imerso a procura de não sei bem o quê. Mas acredito que me preparando, seria mais forte para interromper o processo.
A preparação se justifica por, felizmente, ter interrompido a uma busca por conta de uma forte exaustão. Caso contrário, talvez eu adoecesse gravemente.
Se não conhecesse o livro, jamais poderia conceber a ideia: um livro infinito!
O conhecimento ali parece estar sempre se atualizando. Diversas dissertações, milhões de contribuições, tudo no mesmo lugar!
Minha demora é justificável! Não se abre o livro aleatoriamente. Eu fiz isso da vez.
Como é possível que se tenha que procurar tanto quando todos os textos sobre um mesmo assunto estão ali?
Ainda não montei uma resposta concisa sobre esta pergunta mas ao que me parece, nem tudo ali está bem fundamentado como parece ser.
Pra piorar tudo, fiquei sabendo por uma fonte confiável que o conteúdo do livro é muito maior do que o apresentado no índice! Sem sombra de dúvidas é infinito.
Ontem descobri o que queria procurar. Estava pronto. Eram onze horas da noite e havia passadoi o dia todo me preparando. Fui então.
Comecei realizando três buscas simples. Deixei as páginas marcadas. Na primeira, tive que ler sete textos relacionados com uma média de quatro páginas cada. Na segunda, felizmente, só havia três artigos correspondentes com dez páginas ao todo. Somente depois de toda esta leitura, já na terceira, percebi que todo conteúdo relacionado à primeira e segunda página estava superado por esta última! Fiquei com vontade de atirar o Livro de Areia longe!
Se não estivesse empenhado em adquirir mais conhecimento sobre a pesquisa, já estaria dormindo. Os textos selecionados não serviam para atingir meu objetivo, mas já dava para escrever um ensaio razoável. Mas não sosseguei. Resolvi partir para uma quarta página. Tive que ser mais seletista com os titulos no índice.
Para não cometer o mesmo equívoco, fui direto buscar a assinatura do texto. O autor se chamava Jorge B. Através dele, descobri que o conteúdo listado no índice não era suficiente para minha pesquisa e que somente um busca mais profunda traria o que eu estava precisando.
Ele estava certo, das cinco páginas que ele indicou, a duas primeiras me haviam deixado plenamente satisfeito! Era como se tivesse encontrado a coisa mais importante da vida!
O conteúdo me transformou como pessoa! Já não era mais o mesmo!
Precisava ler tudo, mas meu corpo estava cansado. Com medo de que me acontecesse o ocorrido anteriormente, fui dormir.
Acordei pela manhã tentando lembrar das coisas que havia aprendido mas não consegui lembrar de nada. Só me lembrava da tamanha satisfação que experimentara ao consultar o conteúdo profundo do livro.
Ao abrir o livro nas páginas marcadas, não mais estavam lá os textos que me haviam dado um sentido novo! Nenhuma das cinco!
Com muito esforço lembrei do nome Jorge B. Mas de nada adiantou pois tal pessoa simplesmente não existia.

Exercício 1 - Ampulheta


com quantas letras se faz uma palavra?

com quantas frases se faz uma página?

com quantos capítulos se faz um livro?

com quantos livros se faz uma biblioteca?

com quantas bibliotecas se faz uma cabeça?

com quantas cabeças se tem razão?

e com que razão se perde a cabeça?

a linha consta de um número infinito de pontos

o plano, de um número infinito de linhas

o volume de um número infinito de planos

o hipervolume, de um número infinito de volumes

com quantos grãos se faz um punhado de areia?

se o livro é de areia e as palavras são grãos,

o que são as letras?

se eu pego um grão com a mão e o devolvo à areia

como faço para reencontrá-lo?

eu nunca mais vou vê-lo

Grão de voz - Exercício 1

Abro o livro na página 14, que poderia muito bem se tratar da página 345 ou mesmo o décimo versículo de um capítulo extra. Uma página em branco, todo seu mundo de possibilidades me recepciona de braços abertos. Sinto-me acolhido em sua imensidão branca e suas promessas infinitas. Não sei bem como a mão se fechou sobre a caneta, porém sinto a força de meus dedos ao marcar o papel com tinta negra.

Observo a mensagem que deixei:

“Esse é meu livro.”

Suspiro, exasperado.  Imerso em devaneios.

Estou só.

Fecho o livro com um baque e levanto-me subitamente da cadeira a que estive aprisionado.

Não há como saber se passaram anos ou meros segundos, mas volto-me ao negro livro, tão imóvel e sereno em sua plenitude movediça. Parece-me inofensivo.

É com cautela que me aproximo do objeto e o examino com dedos trêmulos. E é com ainda mais cautela que abro suas páginas aleatoriamente. Para meu choque, a frase que escrevi há alguns instantes entra em meu campo de visão.

É com maior choque que observo uma segunda frase embaixo de minhas palavras:

“Esse livro não pertence a você.”

O dono das palavras hostis prefere não se revelar.

Por impulso tento folhear, avançar mais algumas páginas. Escapar da insinuação latente. Outra página em branco e com ela, um imediato fluxo de alívio.

“Esse livro jamais pertenceu a você.”

Permito que o misterioso livro me entretenha pelos próximos momentos.

Surpreendo-me ao perceber que não tenho raiva. A nova voz deveria me provocar assombro – e assim o faz –, mas tal sensação não é de absoluto desagradável. Um fio de adrenalina se embrenha por minhas engrenagens e sou tentado a me entregar a sua correnteza.

 “Esse é meu livro.”

Uma crescente onda de inquietante euforia ameaça me tragar quando observo minhas palavras no papel.

Anseio por uma resposta e pela dose de adrenalina que se faz presente. Avanço um punhado de páginas, afoito por outra frase.

Mas não há nada ali. Nenhuma palavra, Só há o branco, Sempre só existiu o branco.

Não desisto. Viro as páginas com tamanho ímpeto que o papel ameaça rasgar-se e desfazer-se diante meus olhos impacientes.

Suspiro aliviado ao notar palavras ganhando vida sobre a superfície branca que aprendi a odiar.


“Você pertence a esse livro.”

domingo, 15 de março de 2015

O livro de vidro - Exercício 1



Ouvira falar sobre um livro de muitas páginas. Mais do que todos os outros, tal livro trazia consigo, entre as folhas, a mágica de transformar tudo em passado. Virada uma página, pronto: ela não existia mais. Lembrou-se de ter rido da história e de ter zombado daquele velho que acreditou num caixeiro viajante que queria passar à diante uma mercadoria encalhada. O mundo estava povoado de pessoas espertas e aquele homem era só mais um, pensou. E pobre do velho que, acreditando em tal disparate, empatou a aposentadoria do mês naquele exemplar surrado e sem utilidade. Sem entender porque, começou a sentir pena daquele homem. Sacudiu a cabeça num sinal de autorreprovação, como quem se perguntava por que estava pensando naquilo quando, de repente, deu-se conta de que estava parada no meio da calçada tumultuada do centro, em frente a uma vitrine, que refletia incessantemente o movimento confuso do meio-dia. Involuntariamente, virou-se para ela. 

Transeuntes apressados xingavam sua falta de movimento atrapalhando a passagem; carros soltavam fumaça de seus escapamentos e buzinas nervosas, numa espécie de sinfonia desafinada, ecoavam pela avenida. Permanecia inerte como se tivessem pregado seus pés no cimento dos blocos que constituíam o passeio público. Não se importou no começo. Continuava com os olhos vidrados no movimento da cidade através da vitrine. Mas, à medida que piscava os olhos, a paisagem não era mais a mesma: a mulher de vestido azul dera lugar à de terninho marrom, o carro grande vermelho era agora pequeno e cinza, o sinal passou do verde ao vermelho num átimo de segundo, blocos de pessoas atravessavam de um lado para o outro no zebrado do chão. Poderia piscar mais mil vezes. Cinco mil vezes. Só ela era a mesma ali, refletida no vidro, abraçada por braços invisíveis que não a deixavam sair. As imagens continuavam em movimento, agora cansando seus olhos. Começava a se importar. Com um movimento impensado segurou as pálpebras com força desejando que essa atitude congelasse a paisagem atrás dela, mas conseguiu apenas lacrimejar com a poeira fina da cidade e reparar que um homem, sentado do outro lado da calçada, olhava atento para ela e ofereceu-lhe um sorriso zombeteiro antes de fechar o grosso livro que trazia nas mãos. Piscou. Um empurrão seguido de um resmungo tirou-lhe o equilíbrio, que recuperou dando um passo à frente.       

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Biblioteca de Areia Desdobrada - Exercício 1



                                      

 Dobrou e dobrou a avenida del Libertador, no bairro de Belgrano.  Levava nas mãos uma caixa pesada e média, no qual fazia um pequeno esforço, enquanto um pingo escorria de sua testa que franzia para interromper as gotas. Era clara a dedicação em carregar o que se tratava de uma parte da coleção com mais três novos volumes da Historia Universal da Infâmia desdobrada e engordada de Jorge Luis Borges. Volumes encontrados em meio a textos raros da Biblioteca Nacional Argentina e lá deixados em alguma gaveta, mas outras versões diziam que foram encontradas em fac-símile prestes a serem vendidos em um leilão de livros contrabandeados nos Estados Unidos e roubados da Biblioteca de Areia, no qual Borges manteve até seu falecimento. Sim, tudo saiu de um livro de areia para virar há maior biblioteca já vista ou não vista pelo homem, já que era uma biblioteca sem principio ou fim. Tudo aquilo se expandiu tanto que se pensarmos agora no conto de Julio Cortázar, outro que frequentou a biblioteca em meados da década de 70, e dito até pelos frequentadores mais assíduos que chegou a pegar o próprio Livro de Areia que se perdeu em meio à imensidão de livros que foram reescritos e atualizados constantemente e que sem fim se desdobraram. Partiu, então a ideia do oceano de argamassa dos livros, ideia que Cortázar levou em um de seus contos.

A Biblioteca de Areia, essa grande rede inflamada de conhecimento e paixão que se ouviu falar nos quatro cantos do mundo. Estudiosos e eruditos vindos de todas as partes vinham e diziam que se tratava de algo com uma finalidade sem fim, pois era preciso sempre estar atualizando a biblioteca para ela estar viva, ao mesmo tempo em que todo o conhecimento já escrito do homem se encontrava ali ou pelo menos aquele que ainda não se havia perdido entre as inúmeras reorganizações e mudanças transitórias do lugar, assim como das pessoas que ali deixavam livros e mudavam para deixar os livros antigos em busca de outros. Diziam que os livros que se perdiam caíam em um buraco e que só escavando com muita paciência um individuo com tamanha persistência e paixão era capaz de encontrar. Era uma rede infinita de labirintos e estantes, alguns foram deturpados pelos homens, pois começava a entrar ali livros de tudo quanto é tipo, inclusive muito ruins, mas ainda com muito legado e espaço para o pensamento.  Pois, a Biblioteca de Areia se escreve, se conta uma história e prossegue sem princípio sem fim.

O Branco do Livro - Exercício 1



Nunca gostei de areia. Sempre me lembrou algo que ia sempre comigo. Seja em um prédio em construção ou em uma praia, nunca cheguei em casa sem trazer comigo, por entre os dedos dos pés ou por entre os cachos do cabelo, uma quantidade significativa de areia. Tenho a impressão que ela se multiplica: de meus pés limpos vão para a cama; da cama para o chão; do chão pra vassoura; da vassoura de volta ao chão que devolve para meu pé que devolve para a cama. Toda areia é labiríntica, por isso, ir à praia sempre me soa como destruir a praia, como se, caso voltasse lá muitas vezes, aos poucos, traria a praia comigo e moraria a beira-mar.
Não acredito que a areia se molhe.  Acho que a areia seca a água. Tampouco acredito que a areia se dissolva, ela se molda no exato formato que quer, mesmo que até hoje nunca tenha querido formar grandes coisas e permaneça tal como sempre foi. A areia opta por não se metamorfosear. Ela aprendeu a metamorfose e decidiu abrir mão da tarefa. As dunas estragam a areia. As dunas não existem. Pensar a areia no coletivo é violar os direitos básicos da areia. A areia, mesmo que junta, nunca é praia, nunca é duna, nunca é deserto: praia, duna e deserto somos nós.
Achei um livro sujo de areia. Ou limpo das pessoas. Levei-o para casa como estava e fui deixando areia pelo caminho até em casa, incluindo a própria casa que é caminho também. Mais areia no chão vassoura cama e pé. O livro é comum, normal, capa, página e letra. O problema sou eu. Insisto em ver no livro para além dele próprio, imagino que ele contém alguma coisa para algum lugar. Leio o que ele tem e invento o que ele não tem. Perco o interesse pelo livro, mas, culpado, sinto que não posso perder.
Não acho o livro monstruoso, tampouco interessante. O livro hoje é feito de vazio, de vazio que muda, nem a areia lhe salva. A areia tem história, tem memória, e toda história e toda a memória estragam o livro. O livro só não existe. É um esforço vê-lo assim.
Aos poucos, então, abro meus olhos (ainda não tinha atentado para o fato de que eles estavam fechados) e começo a desvanecer o que não é livro. Apago a televisão, a estante, o sofá, os outros livros, a mesa, o tapete e rumo para o livro – agora o único – e praquilo que ele nunca teve: a solidão. Apago as paredes, o teto e o piso e agora ele paira flutuando no branco do nada. Um lugar imprevisto, mas que mantém o livro ali, somente pelo meu olhar.
Fecho novamente os olhos e imagino o livro sumindo. Imaginando suas páginas transparentes, suas cores negativas e suas moléculas se desfazendo entre o branco do nada. Abro os olhos e lá está ele, flutuante com capa e tudo. Ainda há letras.
Pisco uma vez. Duas. O livro. Sumo eu.