Páginas de areia
Parado ali diante da estante, eu pensava na possibilidade de manusear
novamente aquele livro. Não tinha em mente nenhum objetivo e talvez esta fosse
a razão de ainda permanecer assim, sem tocá-lo. Se eu tivesse uma direção,
talvez não tivesse que alimentar o desejo de abrir e lá começar uma busca sem
fim. Uma vez aberto, iria ficar imerso a procura de não sei bem o quê. Mas
acredito que me preparando, seria mais forte para interromper o processo.
A preparação se justifica por, felizmente, ter interrompido a uma busca
por conta de uma forte exaustão. Caso contrário, talvez eu adoecesse
gravemente.
Se não conhecesse o livro, jamais poderia conceber a ideia: um livro
infinito!
O conhecimento ali parece estar sempre se atualizando. Diversas
dissertações, milhões de contribuições, tudo no mesmo lugar!
Minha demora é justificável! Não se abre o livro aleatoriamente. Eu fiz
isso da vez.
Como é possível que se tenha que procurar tanto quando todos os textos
sobre um mesmo assunto estão ali?
Ainda não montei uma resposta concisa sobre esta pergunta mas ao que me
parece, nem tudo ali está bem fundamentado como parece ser.
Pra piorar tudo, fiquei sabendo por uma fonte confiável que o conteúdo
do livro é muito maior do que o apresentado no índice! Sem sombra de dúvidas é
infinito.
Ontem descobri o que queria procurar. Estava pronto. Eram onze horas da
noite e havia passadoi o dia todo me preparando. Fui então.
Comecei realizando três buscas simples. Deixei as páginas marcadas. Na
primeira, tive que ler sete textos relacionados com uma média de quatro páginas
cada. Na segunda, felizmente, só havia três artigos correspondentes com dez
páginas ao todo. Somente depois de toda esta leitura, já na terceira, percebi
que todo conteúdo relacionado à primeira e segunda página estava superado por
esta última! Fiquei com vontade de atirar o Livro de Areia longe!
Se não estivesse empenhado em adquirir mais conhecimento sobre a
pesquisa, já estaria dormindo. Os textos selecionados não serviam para atingir
meu objetivo, mas já dava para escrever um ensaio razoável. Mas não sosseguei.
Resolvi partir para uma quarta página. Tive que ser mais seletista com os
titulos no índice.
Para não cometer o mesmo equívoco, fui direto buscar a assinatura do
texto. O autor se chamava Jorge B. Através dele, descobri que o conteúdo
listado no índice não era suficiente para minha pesquisa e que somente um busca
mais profunda traria o que eu estava precisando.
Ele estava certo, das cinco páginas que ele indicou, a duas primeiras me
haviam deixado plenamente satisfeito! Era como se tivesse encontrado a coisa
mais importante da vida!
O conteúdo me transformou como pessoa! Já não era mais o mesmo!
Precisava ler tudo, mas meu corpo estava cansado. Com medo de que me acontecesse
o ocorrido anteriormente, fui dormir.
Acordei pela manhã tentando lembrar das coisas que havia aprendido mas
não consegui lembrar de nada. Só me lembrava da tamanha satisfação que experimentara
ao consultar o conteúdo profundo do livro.
Ao abrir o livro nas páginas marcadas, não mais estavam lá os textos que
me haviam dado um sentido novo! Nenhuma das cinco!
Com muito esforço lembrei
do nome Jorge B. Mas de nada adiantou pois tal pessoa simplesmente não existia.
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