segunda-feira, 16 de março de 2015

Exercicio 1

Páginas de areia

Parado ali diante da estante, eu pensava na possibilidade de manusear novamente aquele livro. Não tinha em mente nenhum objetivo e talvez esta fosse a razão de ainda permanecer assim, sem tocá-lo. Se eu tivesse uma direção, talvez não tivesse que alimentar o desejo de abrir e lá começar uma busca sem fim. Uma vez aberto, iria ficar imerso a procura de não sei bem o quê. Mas acredito que me preparando, seria mais forte para interromper o processo.
A preparação se justifica por, felizmente, ter interrompido a uma busca por conta de uma forte exaustão. Caso contrário, talvez eu adoecesse gravemente.
Se não conhecesse o livro, jamais poderia conceber a ideia: um livro infinito!
O conhecimento ali parece estar sempre se atualizando. Diversas dissertações, milhões de contribuições, tudo no mesmo lugar!
Minha demora é justificável! Não se abre o livro aleatoriamente. Eu fiz isso da vez.
Como é possível que se tenha que procurar tanto quando todos os textos sobre um mesmo assunto estão ali?
Ainda não montei uma resposta concisa sobre esta pergunta mas ao que me parece, nem tudo ali está bem fundamentado como parece ser.
Pra piorar tudo, fiquei sabendo por uma fonte confiável que o conteúdo do livro é muito maior do que o apresentado no índice! Sem sombra de dúvidas é infinito.
Ontem descobri o que queria procurar. Estava pronto. Eram onze horas da noite e havia passadoi o dia todo me preparando. Fui então.
Comecei realizando três buscas simples. Deixei as páginas marcadas. Na primeira, tive que ler sete textos relacionados com uma média de quatro páginas cada. Na segunda, felizmente, só havia três artigos correspondentes com dez páginas ao todo. Somente depois de toda esta leitura, já na terceira, percebi que todo conteúdo relacionado à primeira e segunda página estava superado por esta última! Fiquei com vontade de atirar o Livro de Areia longe!
Se não estivesse empenhado em adquirir mais conhecimento sobre a pesquisa, já estaria dormindo. Os textos selecionados não serviam para atingir meu objetivo, mas já dava para escrever um ensaio razoável. Mas não sosseguei. Resolvi partir para uma quarta página. Tive que ser mais seletista com os titulos no índice.
Para não cometer o mesmo equívoco, fui direto buscar a assinatura do texto. O autor se chamava Jorge B. Através dele, descobri que o conteúdo listado no índice não era suficiente para minha pesquisa e que somente um busca mais profunda traria o que eu estava precisando.
Ele estava certo, das cinco páginas que ele indicou, a duas primeiras me haviam deixado plenamente satisfeito! Era como se tivesse encontrado a coisa mais importante da vida!
O conteúdo me transformou como pessoa! Já não era mais o mesmo!
Precisava ler tudo, mas meu corpo estava cansado. Com medo de que me acontecesse o ocorrido anteriormente, fui dormir.
Acordei pela manhã tentando lembrar das coisas que havia aprendido mas não consegui lembrar de nada. Só me lembrava da tamanha satisfação que experimentara ao consultar o conteúdo profundo do livro.
Ao abrir o livro nas páginas marcadas, não mais estavam lá os textos que me haviam dado um sentido novo! Nenhuma das cinco!
Com muito esforço lembrei do nome Jorge B. Mas de nada adiantou pois tal pessoa simplesmente não existia.

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